Leituras: os direitos do aluno leitor e não leitor. ( 1-7)

10 Mar

Inspirada por um post do Rafael Galvão e outro do Alex, sobre a leitura na escola e os livros infanto-juvenis, decidi escrever um texto sobre o que penso sobre tudo isso, que acabou se transformando em uma espécie de manifesto, pelos direitos dos alunos leitores e não leitores. Ficou um texto longo, bastante pessoal, que publicarei aqui aos poucos, um por dia, em meio ao dia a dia do Diário da Lulu.

No total, os direitos são esses (basta clicar em cada um que o post aparece!):

1)O aluno não precisa gostar do livro lido.
Inclusive, é livre para odiá-lo.

2)Ao aluno deve ser oferecido sempre o que há de melhor na literatura universal, passando por todos os gêneros.
3)A literatura não é objeto santificado, sagrado nem de culto máximo.
4)Livros inteligentes devem ser tratados com inteligência.
5)Se o aluno não lê nada, mas nada mesmo, é porque, provavelmente, não sabe ler.
6)Os alunos têm direito a excelentes bibliotecas e a livros baratos.
7)Os alunos têm direito a professores ultra bem remunerados e com tempo para dedicarem-se a eles.

1)O aluno não precisa gostar do livro lido.
Inclusive, é livre para odiá-lo.

 

Nas escolas reina uma espécie de consenso de que os alunos devem, sempre, gostar das leituras pedidas e se encantar com elas. Se o aluno não gosta do livro lindo que você demos, é porque ou falhamos terrivelmente, ( e aí ficamos angustiados, aflitos, deprimidos), ou porque não tem jeito, são todos umas bestas insensíveis mesmo, e nosso papel, afinal, é esse mesmo, jogar pérolas aos porcos, sementes em pedras, e ver se alguma floresce.

Eu não gosto dos mesmo livros que meu marido gosta, nem que meus amigos gostam, e há uma série de livros clássicos, que eu sei que são bons e tudo, para os quais não tenho o menor saco, que simplesmente não rolam para mim. Eu amo Tolstói, choro toda vez que leio Anna Karenina mas a maioria das pessoas que conheço acha um porre, especialmente as enormes digressões a vida no campo, deus e a natureza e tal. Por outro lado, do Guerra e Paz, agüento só a parte da Paz, quando chega na parte da guerra e aquelas horas de descrições infinitas sobre estratégias militares, ai que sono. E isso não faz de mim uma leitora nem uma pessoa melhor nem pior, são gostos, ué, mas parece que aos alunos não é concedido o direito do gosto. Eles têm que gostar do que se convencionou que é bom, ou do que os professores gostam, e se isso não ocorre é um problema. Por quê? Normal, não gostar de algo que todo mundo gosta, tem gente que não gosta de chocolate, ué, nem de lasanha, tem que achar Machado de Assis legal?

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