Por uma vida não fascista…

1 Jun

Quem verdadeiramente vive não pode deixar de ser cidadão, e partidário. Indiferença é abulia, parasitismo, covardia, não é vida. Antônio Gramsci

Logo depois desta afirmação, Gramsci diz que odeia os indiferentes. Na verdade, eu só não concordo com esta parte, acho o ódio muito perigoso. Acho que o ódio retira de nós o crucial do humano: a aceitação do outro, deixando-nos numa solidão imensa. Acho o ódio um câncer social. Ele se alimenta de tudo que temos de belo.

Então, ainda que haja muita diferença nas opiniões, que o diálogo prevaleça. Isso Foucault chamou de esclarescimento recíproco. Obviamente, não é possível se existir cinismo ou fundamentalismo, que são o ódio bem-vestido, de intelectualismo e de religiosidade.

Por isto defendo o diálogo. Mais que isto, eu o vivo: aceito quem quer o debate até exaltado, porque amamos nossos pontos de vista, mas sem cinismo e sem fundamentalismo. O primeiro disfarça o ódio do outro, e elabora seu preconceito racionalmente: é o ódio bem vestido dos barões falidos, da turma da motosserra, dos que se acham os bem nascidos de plantão. O outro é pior, é um ódio de si, transformado pelo recalque num medo do outro, do ser contaminado pelo outro.

Eu não sei qual dos dois é pior, visto que ambos já destruiram milhões de vida, escravizaram, fizeram cruzadas e muitas outras coisas peversas.

Mas, se é verdade que precisamos combater o ódio, também precisamos combater esta indiferença, este congelamento diante da TV, esta alienação diante do mundo, e esta insegurança que nos faz achar que nosso mundo nos basta. Não basta. Enquanto houver uma criança com fome, não haverá Eucaristia na Terra, escreveu Helder Câmara.

É preciso lutar pela inclusão de todos.  Isto só será real com a erradicação da pobreza, do racismo, da homofobia, não ao trabalho infantil e às desigualdades sociais, que são cristalizações de microfascismos espalhados pelo Brasil…  através da educação inclusiva  e do tratamento das pessoas com doenças raras. Compartilhe esta idéia.

Anúncios

2 Respostas to “Por uma vida não fascista…”

  1. Adriana 15 de Junho de 2011 às 7:55 #

    Obrigada Jorge, precisava de revisão, mesmo! 😉

    Gostar

  2. Jorge Márcio Pereira de Andrade 12 de Junho de 2011 às 23:11 #

    Cara Adriana
    compartilho de seu texto na íntegra e só lhe oriento a mudar o texto quanto à erradicação do racismo e da homofobia, acrescentando um não ao trabalho infantil e às desigualdades sociais, que são cristalizações de microfascismos espalhados pelo Brasil… e colocar o ”através da educação inclusiva” pois parece que também devemos erradicá-la, ao invés de propagá-la e consolidá-la, principalmente na busca das heterogeneidades e singularidades no plural humano e social. um abraçodoce e ALÔ Jorge Márcio do INFOATIVO.DEFNET

    Gostar

Os comentários estão fechados.