Estamos apenas num ponto azul.

3 Jun

Neste blog, coloco um pouco de tudo que amo, de tudo que defendo, de tudo que creio.Uma das coisas mais bonitas que eu já vi se deu quando, em fevereiro de 1990, eu tive acesso a uma foto tirada pela  Voyager I. Na verdade, parece que esta foi a última fotografia que ela tirou: a da Terra  como um minúsculo ponto azul em um mar de escuridão. Não somos nada, na verdade, somos envolvidos, todos, em mistério.

Eu sempre lutei pelo amor, e acho que apenas um amor infinito pode quebrar as amarras de ódio. Ontem, disseram que eu estava com raiva, quando, simplesmente eu estava bebendo uma xícara reconfortante de chá de jasmim. Estou há quatro dias afônica, a  voz começa a voltar hoje, em câmara lenta, como falou um grande amigo querido.

Acho que o diálogo é a única saída, e antes dele é preciso que os cínicos e fundamentalistas assumam, de fato seu ódio, e saiam do debate. Debate se faz com quem respeita os outros, não com quem os expõe como objeto de ódio.

Não estou livre de sentir raiva, raiva, quando assertivamente direcionada faz bem, encaminha, impulsiona. Temo é o ódio, fomentado por fofocas desorganizantes de pessoas agonizantes em seu próprio ego. #prontofalei

Estamos num ponto azul.  Apenas num ponto azul. Sequer somos este ponto. Um ponto com milhões de anos de história. Não estamos, necessariamente evoluindo se deixamos nossa civilização se reorientar novamente pela barbárie. Toda semente, toda micromolécula de fascismo deve ser combatida. O fascismo é o um baobá, lembra-se?

Não compreendi logo porque era tão importante que os carneiros comessem arbustos. Mas o principezinho acrescentou:

– Por conseguinte eles comem também os baobás?

Fiz notar ao principezinho que os baobás não são arbustos, mas árvores grandes como igrejas. E que mesmo que ele levasse consigo todo um rebanho de elefantes, eles não chegariam a dar cabo de um único baobá.
A idéia de um rebanho de elefantes fez rir ao principezinho:

– Seria preciso botar um por cima do outro…

Mas notou, em seguida, sabiamente:

– Os baobás, antes de crescer, são pequenos.
– É fato! Mas por que desejas tu que os carneiros comam os baobás pequenos?
– Por que haveria de ser? respondeu-me, como se se tratasse de uma evidência. E foi-me preciso um grande esforço de inteligência para compreender sozinho esse problema.

Com efeito, no planeta do principezinho havia, como em todos os outros planetas, ervas boas e más. Por conseguinte, sementes boas, de ervas boas; sementes más, de ervas más. Mas as sementes são invisíveis. Elas dormem no segredo da terra até que uma cisme de despertar. Então ela espreguiça, e lança timidamente para o sol um inofensivo galhinho. Se é de roseira ou rabanete, podemos deixar que cresça à vontade. Mas quando se trata de uma planta ruim, é preciso arrancar logo, mal a tenhamos conhecido.

Ora, havia sementes terríveis no planeta do principezinho: as sementes de baobá… O solo do planeta estava enfestado. E um baobá, se a gente custa a descobri-lo, nunca mais se livra dele. Atravanca todo o planeta. Perfura-o com suas raízes. E se o planeta é pequeno e os baobás numerosos, o planeta acaba rachando.
“É uma questão de disciplina, me disse mais tarde o principezinho. Quando a gente acaba a toalete da manhã, começa a fazer com cuidado a toalete do planeta. É preciso que a gente se conforme em arrancar regularmente os baobás logo que se distingam das roseiras, com as quais muito se parecem quando pequenos. É um trabalho sem graça, mas de fácil execução.”

Em um dia aconselhou-me a tentar um belo desenho que fizesse essas coisas entrarem de uma vez na cabeça das crianças. “Se algum dia tiverem de viajar, explicou-me, poderá ser útil para elas. Às vezes não há inconveniente em deixar um trabalho para mais tarde. Mas, quando se trata de baobá, é sempre uma catástrofe. Conheci um planeta habitado por um preguiçoso. Havia deixado três arbustos…”
E, de acordo com as indicações do principezinho, desenhei o tal planeta.
Não gosto de tomar o tom de moralista. Mas o perigo dos baobás é tão pouco conhecido, e tão grandes os riscos daquele que se perdesse num asteróide, que, ao menos uma vez, faço exceção à minha reserva. E digo portanto: “Meninos! Cuidado com os baobás!” Foi para advertir meus amigos de um perigo que há tanto tempo os ameaçava, como a mim, sem que pudéssemos suspeitar, que tanto caprichei naquele desenho. A lição que eu dava valia a pena. Perguntarão, talvez: Por que não há nesse livro outros desenhos tão grandiosos como o desenho dos baobás? A resposta é simples: tentei, mas não consegui. Quando desenhei os baobás, estava inteiramente possuído pelo sentimento de urgência.

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