Quer ter um blog? Comece a estudar gramática!

4 Jul

Acho muito interessante, mesmo, a popularização de blogs pela rede. Ainda que em milhares deles a produção de conteúdo se dê, como eu expliquei no meu mestrado, pelo“Cultura Ctrl C + Ctrl V”,  isto é apenas uma parte de um processo de desenvolvimento da escrita, e não é de todo ruim: todos aprendemos a escrever copiando: de livros, da lousa, do professor, de ditados. O problema é quando isso se torna um plágio puro e simples, não citamos fontes, numa desonestidade intelectual agressiva, ou que nos torna incapazes de atravessarmos este estágio e criarmos textos de nossa própria autoria. Já aconteceram estudos a respeito da cópia como etapa do processo de aprendizado e do plágio como um boom perigosíssimo, que explodiu de maneira irrevogável depois da WEB 2.0.

Eu sempre, até em meu trabalho, incentivo as pessoas a terem blogs. É uma forma incrível de expressão e de se familiarizar com a língua escrita, e aprender o sentido e o poder da palavra. Eu que amo as palavras desde sempre, tenho blogs desde 99.  Já tive vários blogs, alguns públicos, outros pessoais, restritos a pessoas mais íntimas.

Mas, sempre a conselho a quem tem um blog, site, comunidade: comece a estudar gramática. Errar todo mundo pode, mas deixar de estudar não: em repeito a você, a quem você representa, a quem lê você, ou quem você gostaria que lesse você, comece a estudar. Tem muita coisa insuportável por aí.

E quando falo de insuportável, claro que também falo de ética: uma vez ouvi de uma lesionada medular que ela estava esperando sair a a aposentadoria definitiva do INSS para ela engravidar. Figura conhecidíssima do movimento da pessoa com deficiência em São Paulo. Achei o fim: imagina tem saúde para engravidar, mas acha que o governo brasileiro tem que bancar ela fazer política…

Mas, dói mais ainda quando ferem a última flor do Lácio, e se você não entendeu, e odiava aula de Literatura Brasileira, desculpa, volta correndo a ler os clássicos. Vai fazer bem a sua alma, a seu blog e a seus leitores.

Vou citar um exemplo. Olha o absurdo que eu achei num blog esses dias:

Olha o absurdo! Tem tanto erro de português neste período que dá um tese de como não escrever um texto. Mas, quero me concentrar num termo que a criatura inventou: alto-estima! Bem, auto-estima, eu sei o que é: é a noção de si, a avaliação que você tem de você tem você, da sua pessoa, tradução do inglês Self-esteem, que por usar a palavra SELF e não uma outra forma para “eu”, se refere a uma totalidade maior da pessoa em questão.

Agora alta-estima eu não tenho a menor ideia do que seja! Um ego do tamanho de girafa? Uma pessoa que tem uma estima meio bêbada, e ficou, no popular, alta, pela cerveja? Mandem sugestões para a bizarrice. A melhor ganha um post.

E a criatura fez a baixa alta-estima. Tende piedade, Nossa Senhora dos que fugiram da escola!

Isso vem do fato da criatura ainda não ter entendido que alto com ele é antônimo de baixo e não o mesmo que auto, o que fala de si, não do automóvel… Sim, gente, ela deve achar que auto-estima é gostar de carros…

Isso sem falar do gerundismo, das virgulas com esquizofrenia… Vou parar por aqui. Se quer escrever, estude.

Não custa estudar no site do Pasquale: http://tvcultura.cmais.com.br/aloescola/linguaportuguesa/index.htm

Comprar uma boa gramática…

Ler Machado de Assis, a melhor forma de aprende a nossa língua… http://machado.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=category&id=34&Itemid=123

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