Para São Francisco

24 Jan
canário

canário (Photo credit: Wikipedia)

No fim da madrugada, tendo apenas a última estrela como testemunha, um canário inesperadamente pousa na janela. Tão pequeno, ele parece ainda mais curioso a meu respeito: ele ergue seu bico como se desejasse carinho: não se afasta qdo eu o seguro em minhas mãos. A manhã vai acariciando o canário junto comigo. Eu temo que ele esteja machucado. Não parece estar, impressiona-me que ele procure uma nova amiga no meio da Paulicéia: no meio do barulho frenético de milhões de carros acelerados objetivando o dia agitado da metrópole, eu nem consigo ouvir o seu piar. Nem me passaria pela cabeça prendê-lo numa gaiola. O canário não é meu, é de Deus, é do mundo. Agora, é meu amigo, um doce irmão da natureza, que guardarei no coração, e que receberei na janela, sempre que ele assim desejar, puder, ou recordar-se. Se recordar-se. Eles tem memória? Bem, isso é o que menos me importa. Ele pousou na minha janela. Eu o afaguei. E isso me transformou para sempre.

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