Das lamentáveis afirmações do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo

15 Jun

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que sempre apreciei a trajetória do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, tanto por sua integridade ética quanto por sua brilhante intelectualidade. Mas, ao contemplar sua atuação diante do evento das manifestações em São Paulo, renho que me manifestar: é impressionante como ele não apenas erra, mas como também insiste em permanecer em erro constate.

Sem dúvida seu equívoco vem de sua distância, quase oceânica, da luta dos movimentos populares: ele fala em Estado de Direito, sem saber que em SP, depois de décadas de PSDB o que os movimentos populares vivem, há muito é estado de exceção: são criminalizados, impedidos de se expressar, presos ao contestar ação governamental, perseguidos, espancados. Atos policiais serão analisados para ver se foram abusivos? Sim, eu já vi esta promessa vã, no caso de Pinheirinho.

Sinto, Cardoso, mas você perdeu uma importante chance de entender de fato, como funciona a dinâmica do nosso mundo tão complexo na paulicéia desvairada:  nós somos o que falamos e não somos ouvidos. Há tempos aqui que os movimentos são reprimidos: gays são mortos na Augusta e a PM não faz nada, mas se é pra bater em estudante, tudo bem. Neonazistas tem 32 grupos paralimitares por todo estado, e a PM não faz nada, mas se é pra meter bala de borracha em estudante é o Estado de Direito que se alega. Acorda, Cardoso.

O povo não aguenta mais a ditadura do PSDB, e vc se coloca a favor dela? Tire férias, e vai ler um pouco de Walter BenjamimGiorgio Agamben. 

Depois disso, veja a manifestação sem os olhos de elite, e com os olhos do povo. Um pouco de caminhada nas ruas não iria lhe fazer tão mal assim.

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