Diante do sublime

29 Ago

Na filosofia, especificamente na estética, o sublime (oriundo do latim sublimis) se refere a uma grandeza, quer física,  moral, intelectual, metafísica, estética, espiritual ou artística, além de qualquer possibilidade de cálculo, medição ou imitação.  O sublime está além do belo. Diante dele, maravilhados, nos ajoelhamos diante deste TODO do qual pressentimos todo o tempo o centro, mas jamais a circunferência, encontramos luz e mistério.

A capacidade de nos colocar além de nós, de ultrapassa-nos, de inundarmos com a singularidades mais inimagináveis e ao mesmo tempo de dissolver a nossa capacidade de razão e representação faz com que o sublime assuma para nós algo de divino, de incompreensível, de eterno, de eternizador, que se envolva em uma pluralidade de significados, que nos invada a morada interna, e nos reduza enquanto nos multiplique.

Eu, pequena que sou, encanto-me com o sublime sempre. Meu peito se aquece de maneira inevitável. Parece, por vezes, que o próprio Sol resolve fazer parte do meu cárdio tão frágil.  Hoje foi vendo a grandiosa Rafaela Silva se tornar a 1ª campeã mundial do Brasil no judô feminino, depois de vencer o preconceito, a dor, os ataques e o racismo. Há dois anos, a medalha de ouro não veio para as mãos de Rafaela Silva, nos jogos olímpicos de Londres. E ela foi atacada de maneira cruel e racista, nas redes.  E hoje, o ouro lhe chega pelo golpe perfeito, sublime: o ippon. Sem dúvidas.

Eu não pude conter o choro. Eu passei o dia com dores fortíssimas, e o choro dela, abriu o meu.  Ela venceu. Como a flor de Drummond, venceu o asfalto, o medo e o ódio, mas é linda, como toda flor. Diante, de você, moça bonita, sublime, me rendi.

 

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