Pra Fran, com amor.

20 Out

fran

Eu trepo.

Tu transas.

Ele expõe na rede.

Nós fazemos amor.

Vós fornicais.

Eles compartilham a exposição do sexo alheio na rede.

 

 

Mulheres fazem sexo. Nossa, parece que isso é um segredo mortal, e que nosso oligárquico e medíocre senso de moral parece nunca aceitar isso, nesse machismo ocre que enfada, intoxica e sufoca. Parece que a casa grande surta ao menor aviso do segredo desvelado, da insubmissão que isso pode desvelar…

Mulheres gostam de sexo.  O segredo agora revelado não abala apenas o sistema colonial em que vivemos, mas a própria natureza do pacto anti-humano que o mantém vivo:  nascemos apenas para despertar o desejo, nunca para vivê-lo! Como podemos ousar dizer que nosso corpo está vivo e goza? E é gostoso? E quer prazer? E sua, e beija, e chupa, e geme, e vibra, e convulsiona, e geme, e goza? Que pecado mortal ambicionar partilhar do gozo…

Há muito que é exigido de nós que o sexo seja apenas não o prazer do nosso corpo, mas apenas um fetiche para o corpo masculino.  Ser mulher, ou tornar-se mulher, como sempre preferi pensar, há muito denota satisfazer um papel, dado pelo desejo do outro, de um corpo que satisfaz, mas não se satisfaz.

Há imposições e imaginários: a gente fica de quatro, chupa, goza, mas não pode mostrar interesse. Se não, já pensou? Como fica? E se for filmada, e virar viral? Vão dizer que a gente gostou.

Mulheres gostam de ser gente. De respeito.  Se você não consegue entender isso, volta pro Pré-Jurássico, meu caro. Que um predador interessante  vai fazer de você, tudo o que você merece. Eu espero. 

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