Compromisso, impessoalidade, trajetória

20 Abr

Todos que acompanham a minha trajetória acadêmica sabem da relação dela com Direitos Humanos. Pesquisar neonazismo nunca foi fácil, especialmente porque é um tema que exige certa complexificação teórica, grande extensão de conteúdos disciplinares e muita proteção pessoal. Pouca exposição, evito ao máximo fotos no face, e se surge alguma, é desfocada, e amigos tiram rápido, ou pedem a retirada dela. Algumas pessoas, mesmo sabendo disso, insistira em colocar fotos minhas, como no evento de mulheres, mesmo sabendo que eu correria risco, para aparecer comigo, mesmo indo para lá sem serem convidadas, achando que estar comigo as legitimarias de alguma forma.

Dei muito menos entrevistas do que aparecem na mídia. Pra UNISINOS, pra Galileu, pra Folha, pro Estadão, pra alguns portais, pro Correio Brasiliense. Para outros jornalistas, para a Carta Capital. Mas, volta e meia aparecem entrevistas que eu nunca dei. No começo eu me irritava demais, hoje eu seleciono, MUITO, com quem falo. Porque, na economia da produção das entrevistas e matérias, percebe-se que a grande mídia materializou a profecia de Joseph Pulitzer: “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.” Enfim…

Pesquisar neonazismo e ser pessoa com deficiência é se deparar com um universo simbólico duro, aterrorizador, pesado, agonizante. É ser mais forte que tudo isso, e manter a ternura, e continuar lutando. E ter diante de si, compromissos claros. Meu compromisso é com uma vida não fascista. Toda busca de perfeição é fascista. Então, a última coisa que eu quero é ser perfeita. E quero é ser humana, muito humana. Eu nunca gostei dos lordes que não manifestam sensibilidade, que não são capazes de manifestar sentimentos, abalos, inalteráveis como um psicopata diante do próximo projeto de ascensão social ou de assassinato em massa. Para mim, quem cientista social nasceu para ser MUITO crítico, se não é vá ser outra coisa. Nós temos a obrigação de denunciar o mundo, senão, quem o fará?

E por isso sou extremamente exigente quando a questão são direitos. Acredito-os inegociáveis. Por isso, jamais elegeria uma pessoa que aceitasse negociar direitos, jamais votaria em alguém que flexibilizasse qualquer regra que garantisse direitos humanos, em troca de crescer no partido ou de receber cargos.

Em segundo lugar, não sou deslumbrada com cargos. Passo em concursos públicos. Acho que o ocupante de um cargo de comissão deve em primeiro lugar servir ao povo. Claro, que ele deve ter um salário decente, não absurdo, milionário, de modo que ele se distancie da realidade do segmento. Claro que ele não deve ficar deslumbrado com o cargo, e usar dele, apenas para pensar no próximo cargo, e novamente, fazer acordos, porque a ele interessa apenas as vantagens pessoais. O governante deve servir o povo. Não ao sistema aristocrata.

Em terceiro lugar, qualquer político deve ter LADO. Democracia se faz com lados. Há os que acham a fome natural, há os que acham ela aberração. Há os progressistas e os reacionários. Há os machistas e os homofóbicos e os libertários.  Há os acham a exclusão das pessoas com deficiência uma aberração, como eu, e você, que me lêem, aos que usam esta exclusão para garantir um cargo e uma cadeira de rodas de quase trinta mil reais, enquanto as crianças em cadeiras de rodas na prefeitura de São Paulo não conseguem acessibilidade nas escolas da prefeitura. E lógico, que ele não move um centímetro da cadeira caríssima para ajudar nisso. Como eu disse, democracia tem LADO, desconfie, muito, se alguém parece imparcial demais, tirando fotos com todos os partidos possíveis. Quer dizer apenas, que ele espera ganhar sempre.

Isto posto, respondendo ao que me perguntaram sobre uma determinada foto, eu NUNCA apoiaria alguém como TUCA MUNHOZ a candidato nem para síndico de prédio.

 

 

 

Anúncios