Vamos explodir a colônia?

9 Out

Gilbert Keith Chesterton escreveu em sua capacidade mordaz que os EUA eram “uma nação com alma de Igreja”. Referia-se, obviamente, acerca das bases que fundaram o mito daquela nação e que se estivesse vivo para ver, permanecem até hoje. Soubesse tanto a respeito do Brasil como sabia sobre o país que definiu nesta frase perfeita, escreveria: o Brasil tem alma de colônia.

Escrevo isso nesse momento pós eleição certa de que não faltará histéricos que não chegarão ao fim do texto, ou outros que sem compreendê-lo, criticarão a frase e todo o resto. Afirmo isso, pensando no sistema que nos fundou: exploratório. O sistema colonial brasileiro se compunha de quatro forças principais: a dos dominadores, o senhores da casa grande, a dos dominados, que eram escravizados na senzala, e de duas outras forças, que ajudavam a manter o poder, coercitivas: a dos senhores capitães de mato, que usavam a força física, armada, e a religião, que por mais que peça desculpas, na América Latina serviu apenas aos colonizadores. Os senhores, quer de engenho, quer de café, (alô, alô São Paulo, aquele abraço) mandavam os filhos para a Europa (Universidades só vieram de verdade com a vinda da família real), para serem médicos, advogados e engenheiros, e esses voltavam ao Brasil para exercer suas funções públicas ou políticas. Ou ambas. Suas filhas, casavam-se. Ponto. Os índios dizimados aos milhares, horrorizados com tudo e todos.

O processo civilizatório avançou e olha quanta não-mudança vemos:  Os colonizadores viraram empresários, comerciantes, a elite coxinha reacionária, dona também da mídia, os escravos conseguiram com preço de lutas e MUITO SANGUE, mas bota MUITO SANGUE nisso, liberdade, emprego, renda. Os capitães do mato evoluíram, viraram a força policial e militar do Estado, e fora muitos exemplos pessoais que tenho de lutas por Direitos Humanos, alguns não honram a farda e querem é extermínio de pobre e preto, como na época da colônia. A religião se dividiu também,uma parte se arrependeu, a  outra serve os que pagam grandes casamentos e missas bem cheirosas. E pede pra que todos orem por dias melhores. Os índios dizimados aos milhares, horrorizados com tudo e todos.

Agora, corrupção é assim, eu odeio. Ponto. Tem em todo lugar. Mas, a do rico é vista como natural, como algo que não deve ser real, ou pq ele não precisa, ou porque, de fato, simbolicamente, ele já é dono. Pobre é que não pode de jeito nenhum partido de trabalhador, só tem vagabundo, preto e pobre. E agora, diz o príncipe dos sociólogos, ignorante. Ele mesmo, disse que tinha um pé na senzala.

Sobre a lógica dessa maneira de encarar a corrupção já escrevia um pensador da colônia. Ou seja, até a maneira de encararmos a corrupção é colonial.

vieira

Pois, é, temos alma de colônia.

Minha proposta: explodir o sistema colonial brasileiro: eleger Dilma e lutar por assentamentos quilombolas e terras indígenas como nunca. Porque, desculpem, não é o senhor da casa grande, que mandou matar todos, não é ele mesmo que vai olhar pra alguma coisa de maneira mais doce ou amorosa.

As instituições no Brasil precisam deixar seu passado colonial. Somos um país diverso. Chega de ver o imigrante de forma colonial, como aquele que veio embranquecer a população, diante do medo do mulato, cuja origem etimológica é mula, pra quem não sabe. Chega de ver o Nordeste com ódio, ou de separar o Brasil em capitanias hereditárias, chega de Sarneys e tudo mais.

Agora eu quero REPÚBLICA. EU quero Dilma, de novo. E vamos explodir a colônia.

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