Em defesa da vida e do amor.

19 Fev

Nos últimas dias, eu fiquei quieta. Apesar de ter lido em uma comunidade que se diz de médicos, mas em que administradores discutem a validade de uma cesária com a propriedade que um herborista da China medieval falaria da origem da língua da Terra Média do livro Senhor dos Anéis, apesar do filhote ideológico de Olavo gritar boatarias a quatro ventos, para de tanto repetir soarem como se verdades fosse, apesar do meu choro por amigos queridos, apesar da indignação que fez meu corpo e coração tremerem, apesar de meu marido, sempre um monge zen, sair do controle e pensar em utilizar formas não comuns de implantação democráticas… eu fiquei quieta.
Apenas orei. Vi pessoas comemorar o sofrimento de uma amiga em trabalho de parto como se fosse uma final de campeonato. Vi pessoas desejarem o pior para uma pessoa que só fez lutar, toda sua vida, pela saúde pública. Vi todos os valores se inverterem. E sofri horrores, por eles, pelo Brasil, por essas pessoas existirem. Elas são o que Hannah Arendt chama de ralé: “A ralé é fundamentalmente um grupo no qual são representados resíduos de todas as classes. É isso que torna tão fácil confundir a ralé com o povo, o qual também compreende todas as camadas sociais. Enquanto o povo, em todas as grandes revoluções, luta por um sistema realmente representativo, a ralé brada sempre pelo “homem forte”, pelo “grande líder”. Porque a ralé odeia a sociedade da qual é excluída, e odeia o Parlamento onde não é representada.” A ralé não é democrática, é autoritária, é demagógica, mentirosa, boateira, a ralé aspira um ditador, pede a volta de um regime de maiorias que oprima, que não respeite as minorias. A ralé ama contorcionistas da verdade, que peçam o fim do Estado Democrático, o fim das lutas populares, o fim do campesinato, dos gays, negros e pobres. A ralé vive da inveja da classe acima da sua. E eu vi a pior ralé do mundo se voltar contra um pai, uma mãe e um bebê, no momento mais delicado e abençoado do mundo: o nascimento.
Eu acredito na vida. E por isso acredito que o nascimento de cada criança é a prova de que Deus continua Deus conosco, em nós, e reafirmando sua fé na humanidade. Acredito que nascer é o processo mais humano e delicado da vida, o mais belo, o que deve ser mais respeitado. Ver todo esse processo ser caluniado, em nome da inveja, do ódio, puro e simples, é inacreditável para mim.
Eu acompanhei a verdadeira história, sabia do pré-natal com história de pressão alta, antes do parto. Sabia que estava acompanhada no SUS. Sabia que ela era forte. Mas, ela foi muito mais, foi uma leoa na defesa da cria. Mas, nem assim pode evitar o que o corpo determinou: uma cesárea. Por vezes, não há alternativa. Eu que tenho doenças raras, sei muito bem, o caminho da medicina nunca é sempre, nunca é nunca, mas deve busca o que melhor defende a vida, o caminho do cuidado deve ser o do amor pela vida. Ele também foi forte, o mais forte de todos, foi pai, marido, e foi o que sempre foi, um defensor da vida, do SUS, do coração, do cuidado.
Sim, foi prematura, nasceu a pequenina. Ambas em UTI. Tudo no SUS. O resto é boataria. A pequena cresce em amor e alegria, diante dos pais e da vida. Que siga abençoada.
O barulho se deu pela escolha pelo SUS? O Brasil único país do mundo com mais de 100 milhões de habitantes com um sistema de saúde público, universal, integral e gratuito e ao contrário do que muitos dizem, o SUS não é um castigo. O SUS é uma benção. Quem dera a ralé entendesse disso: de amor, de vida, de benção, de vida.
Calem-se as vozes que falam em nome do ódio e da ralé, diante da vida, do nascimento e do amor.

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