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Marília Pêra – Para não dizer que não falei das imortais

5 Dez

 

vídio raro esse.

 

Marília se foi. Não. Estrela como Marília nunca se vai. Vira constelação.

Hoje vou ver no céu a estrela maior de Marília Pêra.

 

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Atual demais

28 Abr

“Se os tubarões fossem homens”

– Bertolt Brecht por Antônio Abujamra

Uma homenagem ao mestre que se foi hoje.

Se os tubarões fossem homens, perguntou ao Sr. K. à filha da sua senhoria, eles seriam mais amáveis com os peixinhos? Certamente, disse ele. Se os tubarões fossem homens, construiriam no mar grandes gaiolas para os peixes pequenos, com todo tipo de alimento, tanto animal como vegetal. Cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca, e por exemplo se um peixinho ferisse a barbatana, então lhe fariam imediatamente um curativo, para que ele não lhes morresse antes do tempo.
Para que os peixinhos não ficassem melancólicos, haveria grandes festas aquáticas de vez em quando, pois os peixinhos alegres têm melhor sabor do que os tristes. Naturalmente, haveria também escolas nas gaiolas. Nessas escolas os peixinhos aprenderiam como nadar para as goelas dos tubarões. Precisariam saber geografia, por exemplo, para localizar os grandes tubarões que vagueiam descansadamente pelo mar. O mais importante seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos. Eles seriam informados de que nada existe de mais belo e mais sublime do que um peixinho que se sacrifica contente, e que todos deveriam crer nos tubarões, sobretudo quando dissessem que cuidam de sua felicidade futura.
Os peixinhos saberiam que esse futuro só estaria assegurado se estudassem docilmente. Acima de tudo, os peixinhos deveriam evitar toda inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista, e avisar imediatamente os tubarões, se um dentre eles mostrasse tais tendências. Se os tubarões fossem homens, naturalmente fariam guerras entre si, para conquistar gaiolas e peixinhos estrangeiros.
Nessas guerras eles fariam lutar os seus peixinhos, e lhes ensinariam que há uma enorme diferença entre eles e os peixinhos dos outros tubarões. Os peixinhos, eles iriam proclamar, são notoriamente mudos, mas silenciam em línguas diferentes, e por isso não podem se entender. Cada peixinho que na guerra matasse alguns outros, inimigos, que silenciam em outra língua, seria condecorado com uma pequena medalha de sargaço e receberia o título de herói. Se os tubarões fossem homens, naturalmente haveria também arte entre eles. Haveria belos quadros, representando os dentes dos tubarões em cores soberbas, e suas goelas como jardins onde se brinca deliciosamente.
Os teatros do fundo do mar mostrariam valorosos peixinhos nadando com entusiasmo para as gargantas dos tubarões. Também não faltaria uma religião, se os tubarões fossem homens. Ela ensinaria que a verdadeira vida dos peixinhos começa apenas na barriga dos tubarões. Além disse se os tubarões fossem homens também acabaria a idéia de que os peixinhos são iguais entre si.
Alguns deles se tornariam funcionários, seriam colocados acima dos outros. Aqueles ligeiramente maiores poderiam inclusive comer os menores. Isto seria agradável para os tubarões, pois eles teriam, com maior frequência, bocados maiores para comer. E os peixinhos maiores, detentores de cargos, cuidariam da ordem entre os peixinhos, tornando-se professores, oficiais, construtores de gaiolas etc. Em suma, haveria uma civilização no mar, se os tubarões fossem homens” (BRECHT, apud WONSOVICZ, 2005, p. 38).

Um amigo maravilhoso

23 Abr

“Eu me abandono à febre dos sonhos, em busca de novas leis.” 
Antonin Artaud

Esta semana começou bem.

Hoje recebi, pelo correio um presente lindo. De um amigo très chic. Um grande profissional de saúde, um grande professor, e um grande intelectual. Ele este em Paris, e me mandou de lá um presente especial. Entre os muitos autores que eu amo gosto muito de Artaud. E recebi do Paulo, exatamente ele,  Suicidé de la société d’Antonin Artaud, e uma revista da exposição, direto de Paris. 

Na dedicatória, ele escreveu que eu sou a pessoa mais brilhante que ele conhece. Ganhei o dia, a semana e o mês. devem ter passado glitter em mim, pq nem de longe Paulo, eu merecia tanto.

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Você há muitos anos aposta em mim. Eu não sei se mereço. Sei que amo você muito, muito. E que agradeço seu carinho, seu cuidado, seu enorme afeto. Você é um presente. Desses amigos que a gente adoraria ter perto todo dia, pra conversar horas a fio.

Obrigada por existir. Bjs, da sua Drica.

William Shakespeare

2 Nov

Estas alegrias violentas têm fins violentos

 

Falecendo no triunfo como fogo e pólvora

Que num beijo se consomem.

William Shakespeare 

A história de amor mais contada e recontada de todos os tempos.

Frases que Alice adora

21 Ago

Eu sou assim. Ou me esqueço imediatamente ou não me esqueço jamais.  Estragon

Samuel Beckett,  Esperando Godot

REDE

5 Ago

de Susana Fuentes

O mímico atravessa a cena, deixa cair um lenço invisível, agacha sobre a água – invisível – atravessa o rio – invisível – e do outro lado do rio, apanha o lenço. O mais estranho: do outro lado as sapatilhas deixam pegadas.

A trapezista rouba a cena. No ar a mão sustenta o corpo, sobe o quadril, passa uma perna na corda. A cabeça despenca, o tornozelo gira, leve trava na barra. O corpo desliza, inverte lados, chama para cima o para baixo. As luzes se apagam. Vai-se a trapezista. Fica o trapézio, vazio – e o trapézio sobe, desce, ensaia o balanço solitário e livre.

Não me sai da cabeça que a mulher barbada tinha um queda pelo dono do circo. Um dia a peguei chorando porque o porco ou símio adiantado não lhe notara o penteado novo.

Perto da jaula, o menino jurava ter ouvido o crocodilo lhe dizer bom dia.

A pulga estava tão triste porque seu adestrador morrera na véspera de uma anemia profunda.

O malabarista deixa cair os pratos. O atirador de facas erra o alvo sobre a melancia. Entra aí o palhaço, de terno e gravata, triunfante, chama os dois para um piquenique.

O atirador nem percebe, mas falta uma faca. Só quando lê as manchetes no dia seguinte é que pensa: não é que notara o palhaço mais feliz que o de costume?

Fora da corda chora o equilibrista porque o caminho é tão cheio de encruzilhadas.

A engolidora de fogo na pausa arruma a trança e lembra, entre suspiros e lágrimas, de sua infância entre os dragões.

Na boca do leão, os olhos redondos do adestrador brilham. Na platéia, o sorriso absorto de sua esposa trai uma ambição duvidosa. Termina o número. Aplauso. A mulher trinca os dentes. A tempo, sem que a notem, amansa a cara, um leve resgate da língua recolhe a saliva e o desejo por sangue.

Rente à lona, a imobilidade dos galhos conduz as folhas a discreta sonolência. Mas antes que abandonem a vigília, generosas gotas já pousam sobre seus olhos – despertando-as em pequenos sustos – piscadelas trêmulas de alegria súbita.

Do livro Escola de gigantes
Rio: 7Letras, 2005.

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