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Eu quero um escola de algodão

20 Maio

Diante dos episódios de ontem, acho que é preciso fazer algumas considerações: Primeiro o que está em jogo é que modelo de EDUCAÇÃO PÚBLICA desejamos.

Em segundo que projeto de país desejamos e como esta EDUCAÇÃO PÚBLICA define este país.

O troféu Como Assim? vai para o Senador Lindberg, defensor de guetos na educação.

Acredito que as eleições revelaram um apoio nacional a um projeto de país. Foi escolhida uma presidenta e uso o termo consciente do que os gramáticos puristas gritam contra ele, e afirmo: é uma escolha de gênero, mesmo. Chega de uma língua que não atende às mulheres, porque a construção lingüística é determinante para a cultura. E a cultura reforma a língua, queridos.

Acredito, portanto,  na língua de sinais. Acredito que haja o que se denomina de “cultura surda”, ainda que, obviamente, como antropóloga não culturalista ache absurdo o uso do vocábulo cultura na idéia, cultura usada desta forma fixa a diferença. Cultura neste sentido serve para fixar limites a determinadas ideologias e estratégias políticas. Apenas isto. Mas, este texto não discutirá isso.  Quem quiser que leia Wagner e Kuper.

Acredito que exista uma partilha simbólica de um universo de discursos e práticas, no qual a língua de sinais está inserida. Claro que neste sentido há a cultura surda, a que existe a partir da língua, no caso da brasileira, a LIBRAS.

Sou defensora de LIBRAS de carteirinha. Sempre fui. E falo de vinte anos de luta.

Há várias sub-culturas na cultura brasileira, fazendo um esforço grande aqui  (perdão, amigos antropólogos, mas é uma tentativa de dialogar com quem não é iniciado nas nossas críticas ao culturalismo) para usar a palavra cultura como todos usam: há comunidades judaicas, alemãs, italianas, japonesas, russas, nordestinas em São Paulo, paulistas no nordeste, senegalesas, australianas, todas balizadas pela idéia de preservação e partilha de uma língua, que mantém viva a tal cultura.

Se todas elas levarem seus membros ao Senado Federal exigindo escolas que respeitem suas línguas estaremos todos perdidos.

Estaremos montando guetos que separam, ao invés de construir uma sociedade que partilha. Se querem preservar-se, que o façam, sem DINHEIRO PÚBLICO.

Gastos públicos devem ser fundamentados na idéia de que país desejamos.

A maioria da população deste país não escolheu os guetos, escolheu a partilha, quando escolheu o PT.

Claro que há problemas: a inclusão não se deu ainda, e a fala, triste de que LIBRAS não é língua só piorou tudo. Mas, desculpem, não vamos ampliar a inclusão criando guetos.

Os defensores de guetos que me perdoem, a cidadania é fundamental.

O modelo escolar que foi defendido ontem é o Estadunidense. Por coerência o Senador deveria deixar o PT. Porque não é este o modelo de país que desejamos.

Digo isto, porque uma assessora sua, a Melissa, me escreveu dizendo que o senhor nada pode fazer em relação ao Estatuto porque ele está na Câmara. E aí, o senhor convida quem quer e quem partilha de seus ideais, como os surdos parceiros de longa data de seu grande amigo mineiro tucano (não, não o Aécio, pelo qual o senhor bateu no PT nacional no Twitter), o deputado federal Eduardo Barbosa (PSDB-MG). E me mostra que apesar do discurso da Melissa,  o senhor acha que pode fazer muito, e faz…

Há 3 milhões de surdos, senador. Há surdos oralizados, surdos que falam libras e preferem a escola pública, surdos que o senhor não deseja ouvir. Porque o senhor, vergonhosamente quer apenas seu nome num Estatuto que é anterior a Convenção, que não ouviu vários grupos, e que serve a um projeto de país que não é petista.

Pela sua lógica, nós que temos osteogenêsis imperfecta, a doença que fragiliza os ossos, deveríamos ter uma escola só nossa, para atender às nossas necessidades. Eu quero uma escola de algodão.

Rita, para animar o domingo!

20 Mar

Neste post, quero falar da Rita, a paulistana, eterna Rainha do Rock, a mais completa tradução (segundo o Caetano) de Sampa. Embora eu esteja horrorizada com a despostura política do Caetano, a afirmação a respeito de Rita é perfeita. Na música da Rita sempre vi a minha “eternal girl” da metrópole, que sonha com amores repleto de luxúria, enquanto sai por aí, lançando perfume. Em Rita o fluxo sexualidade e romance é perfeito, basta ler Amor e Sexo para se dar conta. Como se pia (Rita Amaral, eternal girl!) em tempos de Twitter, #FATO. Amor é prosa, Sexo é poesia… E, para manter a mente sã, precisamos de ambos.

Eu ganhei, há meses, do Chico amado, a biografia da Rita em três dvds. É o máximo.

Rita é uma viagem para a toca do coelho. Você não ouve? Ouça e perca-se. No mundo das ritaleevilhas.

Beijos coloridos em todos!