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Calendário 2016

21 Dez

Mais um presentinho de Natal do EspelhodeAlice4.0 para  você!

Calendário de 2016. Clique na figura e salve!

2016espelho

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#006 Ela tem versões e versões e mais versões em cine!

21 Jul

Uma história, se é fascinante, será filmada.

Uma história, se é fascinante, será filmada. Se é incrivelmente fascinate, adoravelmente inquietante, e se fala com pessoas de todas as idade, sem uso de moral de forma idiota, e descortina perguntas verdadeiramente interessantes, vai ser filmada, filmada e filmada. Essa é Alice.

Vamos olhar um pouco da filmografia? Já falei um pouco de alguns filmes aqui. Mas, hj falo mais.

Dirigido por W.W. Young e estrelado por Viola Savoy no papel de Alice é o meu preferido. É de 1915, e está inteirinho online.

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Este tem mais de cem anos (de 1903), foi dirigido por Cecil Hepworth, e é interessante. É baseado nas ilustrações originais.

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Este é muito legal. Dirigido, em 1933 por Norman Leod.

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E para terminar, o meu queridinho em francês: Alice au pays des merveilles. Com fantoches. Muito lindo! Por  Marc Maurette, Bower Dallas e Louis Bunin

#005 O mundo dela tem um mapa colorido e ilustrado

19 Jul

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Sem mais demora, baixa ele aí!

#004 Ela tem milhares de versões, ilustradores e eu amo isso!

17 Jul

Alice e suas histórias é um dos livros mais traduzidos do mundo. E um dos mais bem ilustrados. Muitos ilustradores fantásticos já encheram meus olhos de felicidade com suas fantásticas interpretações dos personagens que eu mais amo.

Aqui coloco para vocês alguns das capas que mais amooooo, de Alice nas maravilhas.

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A capa número 1, eu procuro um bocado. A número 2, 3, 4, 5 são de livros que eu tenho. A dois é muito linda, a árvore cheia de corações, como se ela demarcasse o reino da rainha de Copas, a três é um livrinho de Disney, tenho a versão em português. A 4, em quadrinhos, de 1950, tb tenho em portugu~es, e foi dureza conseguir, ams achei. e não empresto, nem cedo, nem cesso, nem vendo, nem alugo, nem nenhuma outra coisa. A seis, que é a capa de The Nursey Alice, cuja história vc pode ler clicando aqui, tenho na forma de pdf, e no meu planner life, tipo um caderno. Um dia explico isso.

Os outros tenho em pdf. O único que não tenho de jeito nenhum é o 1. Alicemaníaca, eu? que nada.  Uma hora posto as capas de Alice através do espelho.

#003 Ela tem uma explicação cabalística!

16 Jul

Vocês conhecem o comentário do Dr. Marc Edmund Jones, fundador da Assembleia Sabian, para Alice?

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Cabala, esoterismo e Alice!

“Sabian” vem do hebraico “Sabaoth”, o plural de “exército” como encontrado na frase bíblica “Senhor dos Exércitos” (Romanos 9:29), e os estudos de Marc Edmund Jones juntaram um pouco de tudo isso. Ele é muito conhecido por astrológos que se valem da metodologia de Dane Rudhyar, para interpretar símbolos para graus do mapa astral, para astrologia dita esotérica e médica. O que pouca gente sabe é que o moço amava a Alice também, e interpretou os livros!

Basta clicar aqui para acessar. para ler especificamente o comentário de alice no país das maravilhas, use este link. Para ler os comentários de através do espelho, use este.

#002 Ela foi minha primeira amiga de infância.

14 Jul

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A primeira vez que a gente senta ao lado da irmã da Alice, de sua gatinha Diná, e sonha com ela a queda na toca do Coelho Branco, a primeira vez a gente não esquece.

Eu tinha quatro anos, e meu pai olhou para mim e disse, hoje vou contar para você um dos contos favoritos da sua mãe. Soou como se ele fosse me dar uma sacola cheia de doces, ou me contar um grande segredo de família. o livro chegou assim, como um cumplíce da felicidade materna. Ele pegou um exemplar do livro com grandes figuras, em inglês, todas figuras preto e branco. Aquilo parecia um enigma, um pacto, entre ele e eu.

Ele me mostrou o desenho da garota e disse, Adriana essa é Alice. Muito prazer, Alice, eu disse, quem é você, como se pudesse prever a pergunta da Lagarta…

Meu pai começou a  dizer que um dia, ao lado da irmã, Alice avistou um coelho de colete. Eu ri, imediatamente. Um coelho correndo de coletes. Aquilo me pareceu absolutamente provável, como todo mundo imaginário deve parecer provável às crianças. O coelho retirou do colete um relógio e gritou: Estou muito atrasado.

Tive pena dele, preso no relógio, tal como meu pai e minha mãe. Porque um coelho, ora bolas, estaria atrasado? – perguntou meu pai. E eu respondi: para ir ao jantar de cenouras com a coelha, lembrando das chamadas de minha mãe, na hora do jantar…

Não, respondeu meu pai, solenemente, ele estava atrasado, e a Rainha de Copas poderia castigá-lo. Eu perguntei qual seria o castigo, e meu pai, riscando a garganta com o dedo disse em tom lento e silábico: Cortem a cabeça, gritaria a Rainha. Eu lembrei de Mary Stuart, que sempre povoava a vida em casa, minha mãe e seu mundo britânico, histórias, livros, teatro, tudo ela exigia que a gente soubesse e lesse. A Rainha de Copas é a Lisabeta? – eu perguntei, e meu pai falou, que era parente: uma parente mais antiga, ou mais nova talvez, que eu fosse perguntar a minha mãe, que lógico, a cronologia da coroa inglesa era a paixão dela, não a dele. Mas, uma parente mais brava, mais dura e completamente louca. Olhando sério pro meu pai eu perguntei: porque colocam uma louca no trono da Inglaterra? Era costume da política, ele me respondeu, dando-me a melhor informação sobre Ciência Política de toda minha vida. Os loucos reinam, eu pensei. Nunca vou querer reinar, porque eu não sou louca.

Meu pai ficou em pé, como um valete de copas, ou como o gato na árvore, colocou as mãos na cintura, apontou para um lado e afirmou: lá mora uma Lebre de Março maluca. E mudando de direção, disse e lá vive um chapeleiro louco. Eu sou louco, você é louca. Somos todos loucos aqui. Eu olhei para o meu pai bem séria (eu era dessas crianças muito sérias, mas muito piadistas também, que já tinha operado tanto o corpo e sentido tanta dor, que entendia muito bem o que era uma vida louca) e disse, tá bom, somos loucos todos, uns pelos outros.

Meu pai parou a história, me abraçou e  disse à minha mãe, que preparava bolinhos de chuva  para chover canela neles depois: a Mé (sim, eu era a Mé, meu irmão me chamava assim, e todos copiaram) a Mé é doida por todos nós. Minha mãe chegou com um prato de bolinhos e chuva e groselha gelada. Comemos, rimos, até meu irmão acordar e vir participar também. Todos os quatros, rindo, da nossa loucura. Confortados por bolinhos de chuva com canela e groselha coloridíssima, que enchia de cor as ilustrações em preto e branco do livro, que depois eu devoraria (eu lia desde um ano e meio de idade).

Nunca mais eu pude esquecer Alice.  Ela foi minha primeira amiga de infância.

A nazificação da direita – algumas notas

6 Jul

 

Nas manifestações em São Paulo, que eu analisei rapidamente aqui,  percebi a presença, em especial no dia de 20 de junho, de grupos nazifascistas destacados na manifestação. Moro muito perto da Avenida Paulista, e vi que nesse dia a manifestação se dividiu em blocos, e o grupo dos neonazistas, muitos com suásticas, tatuagens white powers – que eu reconheço por estudar – estavam lá. Agrediam manifestantes de esquerdas, queimavam bandeiras do movimento negro, pediam a expulsão dos bolivianos, dos nordestinos. A nazificação da direita paulista chegava ao máximo, no meio de uma manifestação que tinha tudo para ser libertária e pacífica. Escrevo o presente texto para acrescentar ao debate que surge após a publicação da minha entrevista na Carta Capital, que pode ser lido em: http://www.cartacapital.com.br/politica/a-explosao-do-odio-7327.html/view

Em primeiro lugar a expansão dos grupos neonazistas não é nova, estudo isso há onze anos. A nazificação da direita também não é.  É complexo. Quero colocar algumas notas para permitir um chão comum:

1. A pesquisa surgiu da minha perplexidade, em 2002, diante do crescimento assustador destes grupos. Que não são skinheads. Skinheads não são nazifascistas por definição, a origem do movimento skinhead é completamente diferente e operária, eu sei,  mas muitos grupos neonazistas usam o termo skinhead para se definir, e como antropóloga tenho que entender como eles se definem: skinhead, brancos, arianos, alemães. Um mote entre eles é: minha nação é minha raça.

2. A eles interessa odiar: odiar e criar inimigos, por uma construção simbólica coletiva, no laço social, que denomino paranóia construída socialmente, de um outro animalizado e diabolizado: o judeu, o negro, o migrante, o nordestino, o gay, a lésbica. Todos eles devem ser eliminados.

3. Suas estratégias são criadas num limbo entre um léxico genômico complicadíssimo de se explicar (mitocôndrias negras, poe exemplo) e de símbolos religiosos, pagãos e protestantes. Não tenho nada, absolutamente nada contra os protestantes, mas é FATO que LUTERO escreveu OS JUDEUS E SUAS MENTIRAS e que isso foi determinante na história do antissemitismo e do nazismo alemão. È fato que a KKK  surgiu entre os fundamentalistas protestantes estadunidenses, e que a teologia da prosperidade fomentou ódio aos gays nos EUA. Eu não tenho nada contra as igrejas evangélicas, mas tenho que apontar os fatos que ampliaram os discursos de ódio no mundo. Leia sobre um laudo que fiz a respeito de um livro, para entender um pouco acerca disto em http://etnografianovirtual.blogspot.com.br/2012/09/mpf-abre-inquerito-civil-sobre-livro.html

4. A direita tem se apropriado deste discurso e de muitos destes elementos simbólicos, inclusive, usando atores neonazistas. Exemplo: Durante a campanha eleitoral para a Presidência da República, em 2010, vivemos neste país um dos mais horrendos processos de calúnias já vistos em uma batalha política: e-mails anônimos, circulavam pela internet, com mentiras contra a candidata Dilma Roussef. As mentiras eram tão absurdas que resolvi empregar a mesma metodologia que usara em minha pesquisa de mestrado para tentar identificar vínculos na rede entre as mensagens transmitidas, sites, blogs, e registros. Outras pessoas fizeram o mesmo, sem usar uma metodologia e cibermetria. Uma dessas pessoas, Tony Chastinet, comentou a respeito de um site mencionado em uma mensagem por ele recebida na época da grande boataria, que eu também recebi, que era intitulada: “Candidatos de esquerda”. Na mensagem se recomenda a leitura do sitewww.tribunanacional.com.br. Na página, há uma montagem, grosseira, de Dilma ao lado de um fuzil. Uma verdadeira central de calúnias como se pode amostrar emhttp://www.tribunanacional.com.br/v2/editorial/a-terrorista/.
O site na época estava registrado em nome de “Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares”, cujo CNPJ (026.990.366/0001-49), está localizada na SCRN, 706-707, Bloco B, Sala 125, na Asa Norte, em Brasília. O responsável pelo site é Nei Mohn. Ele foi presidente da “Juventude Nazista” em 1968.

5. Quando o movimento chegou às ruas, eu pensei a imensidão dele à luz de Castells, imaginei, que era evidente seu crescimento, oras, porque a insatisfação das pessoas com o transporte é imensa: elas são tratadas com pouquíssima dignidade humana por horas para ir e vir do trabalho em um transporte de péssima qualidade. Em Sampa, o metrô está mais do que lotado, e transitar pela cidade é um caos total. Os trabalhadores sofrem demais. As manifestações viraram um Carnaval às avessas: vamos expor toda a frustração de anos de descaso total.

E desde o início eu sempre  lembrei muito de Manuel Castells. Bem no início, antes da pancadaria geral da PM paulista, que ao se calar, abriu espaço pra tudo, até para os nazis.

Em O poder da identidade, ele descreve idéias e análises organizadas após 25 anos de estudos sobre movimentos sociais e processos políticos de várias regiões do mundo, discutidas a luz da teoria da Era da Informação. Castells examina as duas grandes tendências conflitantes que moldam a sociedade da informação: a globalização e a identidade.

Alguém teve coragem de me dizer que a rede não teve nada importância nas manifestações. realmente, 150 mil pessoas  que não se conhecem apareceram na frente da minha casa e marcaram como? pelo telefone, por telepatia, o por sinal de fumaça? Depois não querem que antropólogos falem em pensamento mágico!!!!!

Os movimentos sociais, segundo Castells, vivem entre a relação do poder do Estado e do poder da informação, “uma vez que,as novas e poderosas tecnologias da informação podem ser colocadas a serviço da vigilância, controle e repressão por parte dos aparatos do Estado […] Do mesmo modo [que], podem ser empregadas pelos cidadãos para que estes aprimorem seus controles sobre o Estado, mediante o exercício do direito a informações “[…] (CASTELLS, 2000, p. 348-349).

A personalização da política – que Manuel Castells acredita ser cada vez mais forte – acarreta muitas vezes fragilidades, que os opositores se encarregam de revelar. Ele escreve:

Como as mensagens mais eficazes são as mais negativas e uma vez que a difamação é uma forma definitiva de negatividade, a destruição de um líder político através da filtração, invenção apresentação e propagação de uma conduta dolosa que lhe é atribuída, de forma individual ou em associação, é objectivo último da política do escândalo. Por isso, tácticas como a “investigação da oposição” pretendem encontrar informação comprometedora que se possa utilizar para destruir a popularidade de um político ou de um partido. A prática da política do escândalo representa o patamar mais elevado na estratégia de incluir um efeito de afeto negativo. Sendo que a política mediática é a política da Era da Informação, a política do escândalo é o instrumento eleito para dirimir as batalhas políticas do nosso tempo (Castells, 2009: 331-332). Esses escândalos geram inquérito parlamentar ou judicial, dos quais juízes, promotores e inquisidores acabam se tornando heróis protegidos pela mídia, que ganha sua audiência. Eles também apoiam essa mídia, e juntos arrebatam o poder do processo político e disseminando na sociedade, formando uma espécie de relação de simbiose. ”Na política de escândalos, como também em outros domínios da sociedade em rede, o poder dos fluxos supera os fluxos de poder.”

Os escândalos acabam gerando o desinteresse da população por política, e uma busca por novas lutas, que movimentos sociais como esses, de massa, podem acabar suprindo. Os neonazistas se aproveitaram disto, repetindo Mussolini e gritando SEM PARTIDO: lembro que o ditador italiano defendia que os partidos enfraquecem a nação. Desculpem, direitistas loucos, mas a democracia precisa de partidos fortes. E lutaremos por ela.