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Acerca dos Milagres

7 Jan

O milagre de nunca perder o dom de se maravilhar com a vida.

Poucos sabem, mas a palavra milagre vem do latim miraculum, do verbo mirare, “maravilhar-se”. (No inglês, wonder vem etmológicamente de  wundor “maravilha, milagre, objeto de espanto) Nesse sentido, Alice no país das maravilhas é também Alice no país dos Milagres, e o milagre um espécie de nonsense: quebra as regras da razão e da “leis da naureza” para os teístas, manifestação singular da onipotência do Criador. Nesse sentido, é quase comum entender um milagre como um evento sobrenatural, inexplicável, produtor de estranheza e admiração. Para ateus é a capacidade do absurdo.

No mundo de Alice, milagres não faltam: ela cresce, diminui, borboletas de torradas voam, coloridas, segundo a versão Disney, animais falam de assuntos poéticos, complexos e matemáticos. Estes são os meus milagres. O milagre de se maravilhar com a vida.

Na Bíblia, uma cidade foi escolhida em especial, durante o ministério de Jesus, para a grande manifestação de maravilhas, os seus milagres: Cafarnaum. Uma grande cidade que tinha sua própria sinagoga e lugar do chamado de Mateus, o evangelista cobrador de impostos. Depois de sua rejeição em Nazaré, Jesus escolheu Cafarnaum como centro de seu ministério na Galileia. Quando fui a Israel pela primeira vez, em 2009, fiquei encantada com esta linda cidade, e com suas ruínas. Minha arqueóloga interna gritava de felicidade.

Eu queria ser arqueóloga quando criança, mas como tenho ossos de vidro, para cada artefato descoberto eu ia quebrar uns dez ossos. As contas fizeram eu mudar de ideia.

Cafarnaum foi o lugar em que mais tirei fotos, em especial das ruínas que se atriubem à casa da sogra de Simão Pedro, lugar em que Cristo teria vivido. É considerado tão santo o lugar que foi coberto de vidro, para evitar profanação e roubo de pedras.

(Já pensou o comércio – trouxe uma pedra da casa de Cristo – quer por quantos mil dólares???)

Acima das ruínas foi cinstruída a Capela dos Milagres.  A capela é muito simples. Um convite à reflexão. Coloco umas fotos aqui:

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As ruínas que se atribuem a casa da Sogra de Pedro.

 

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Ruína da Sinagoga, da época de Cristo, com Estrela de Davi.

 

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Capela dos Milagres. Grupo que estava comigo na viagem.

 

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Altar da Capela

 

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Entrada dos Monumentos históricos/arqueológicos

 

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Placa de custódia. Terra do Vaticano em Israel.

 

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A imagem de São Francisco de lá. Muito linda.

Ir em Cafarnaum fez muita diferença em minha vida. Afinal, ver as maravilhas ao vivo é diferente, né? As maravilhas das pessoas que vivem a fé, que vivem da fé –essas nem tão maravilhosas-, um dia eu conto), meu taxista de Ubiquistão, a maravilha de acreditar que cada dia é um milagre.

O milagre de nunca perder o dom de se maravilhar com a vida.  Para terminar, uma arte que fiz, pesando em tudo isso, e na frase de um grande judeu:

milagre

 

Beijos maravilhosos em todos!

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Pessoas com deficiência inovam em Israel

7 Fev

A notícia abaixo fala de uma inclusão maravilhosa! Complexo que inclui café, restaurante e teatro vira sucesso de público no porto de Jaffa; garçons e atores têm deficiência visual ou auditiva
Veja outras imagens em http://www.reuters.com/article/2008/02/05/us-israel-theatre-disability-idUSL1624388720080205

Em meio às ruas pouco iluminadas do antigo porto de Jaffa, em Israel, acontece uma revolução silenciosa. Ali, às margens do Mar Mediterrâneo, pessoas com deficiência visual e auditiva oferecem uma opção de entretenimento diferente àqueles que acreditavam já ter visto de tudo: um café agradável, uma ampla sala de teatro com 350 lugares e um restaurante disputadíssimo reunidos num armazém reformado, no subúrbio de Tel-Aviv, onde funciona desde 2007 o centro Nalaga”at (Toque, por favor, em hebraico).

O lugar oferece uma experiência única. No Café Kapish, os garçons têm deficiência auditiva. No restaurante BlackOut, que funciona em uma sala escura, trabalham apenas garçons com deficiência visual. Já os protagonistas da peça de teatro possuem os dois tipos de deficiência.Engana-se, no entanto, quem pensa que visitar o centro é caridade. Para desfrutar das atrações do Nalaga”at é preciso agendar a visita com antecedência. Os espetáculos costumam ficar lotados e para conseguir um lugar no restaurante é preciso entrar na lista de espera de um mês.

“No começo as pessoas compravam ingressos para o teatro porque consideravam ser uma boa ação. Mas, quando chegam aqui, ficam surpresas e até com raiva por estarem se divertindo”, conta ao Estado a diretora teatral e fundadora do centro, Adinal Tal, que teve o primeiro contato com pessoas com deficiência visual e auditiva em 1999, quando deu um workshop de teatro para 12 surdocegos.

Em três anos, a montagem Não Só de Pão – a única peça teatral no mundo encenada por atores surdocegos – foi assistida por mais de 170 mil espectadores em Israel e no exterior. O espetáculo retrata com bom humor os sonhos e as aspirações de quem vive no silêncio e na escuridão.

Em julho de 2010, o grupo fez 12 apresentações em Londres e foi aclamado pela crítica local. Graças ao sucesso das atividades do centro, 75% dos gastos são cobertos com a renda arrecadada. A produção de Não só de Pão custou 1 milhão de shekels, o equivalente a R$ 600 mil.

Dificuldades. Até mesmo sair em turnê é mais complicado quando se trata de um grupo com deficiências visuais e auditivas. “Ao chegar no aeroporto, um dos atores foi questionado pela segurança se tinha arrumado as malas sozinho. Ele disse que não. E aí já virou suspeito de terrorismo.”

As dificuldades, no entanto, só fortalecem o grupo. “Exijo nada menos que a perfeição. A comunicação entre pessoas com deficiência auditiva e visual é complicada, mas aprendemos a nos entender. O segredo é não subestimar a inteligência do grupo ou do público”, diz Adinal.

Cada um dos 11 atores tem um intérprete, que se movimenta no palco para orientá-lo. Eles dão ritmo à montagem usando a vibração de tambores ou o simples toque para marcar os atos ou indicar a formação de uma fila. As falas são traduzidas em um telão para o inglês, o árabe e o hebraico. Além disso, um intérprete faz a linguagem dos sinais no palco.

Na peça, os atores mostram as semelhanças entre o mundo de quem ouve e enxerga e aquele em que vivem. Durante uma hora e meia de espetáculo, tempo que leva para preparar o pão que, ao final, é servido à plateia, os atores remontam seus sonhos: ir ao cinema, dançar.

“Aqui acontece uma verdadeira revolução entre os que enxergam e escutam, que não acreditavam que poderiam receber esses presentes de pessoas com deficiências”, diz Tal, de 58 anos, nascida na Suíça, mas que vive em Israel desde os 20 anos de idade.


Que estes bons ventos cheguem por aqui!

Beijos coloridos em todos!