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Poema de Atahualpa Yupanqui

17 Jun

mundo-de-los-suenos-de-wenguenn (2)Original:

La noche, con la espumita del río,
te está tejiendo un encaje, mi Niño.
Quiero la estrella del cielo mas bella,
para hacerte un sonajero, mi Niño.

El niño duerme sonriendo, mi Niño.
¡Ah, mi Niño ¡
Qué bello mundo es tu mundo, mi Niño.
¡Ah, mi Niño!

(Recitado)

El niño quiso ser pez
y fue a la orilla del mar.
Puso los pies en el agua
pero, no pudo ser pez.

El niño quiso ser nube
y fijo al cielo miro.
Volaba el aire en el aire
pero, el niño no voló.

El niño quiso ser hombre,
fuerte, compuso su voz.
Mas el mundo era tan suyo
que el niño, niño quedo
.
Fueron pasando los años
y el hombre alcanzó su voz,
y anduvo par esos mundos
mezclando dicha y dolor.

Y el hombre quiso ser niño,
quiso ser nube y ser pez,
mas la playa era de angustia
y las nubes el ayer.

Y el hombre va par el mundo
Con razón o sin razón,
y lleva un niño frustrado
gimiendo en su corazón.

Qué bello mundo es tu mundo, mi Niño.
¡Ah, mi Niño! …

 Atahualpa Yupanqui –

14012508341153201

A noite com as espumas do rio, te estão tecendo um enfeite, menino
Quero a estrela da noite a mais bela, para brilhar no teu riso,
Menino…
Menino, dorme sorrindo menino
Ah menino

O menino quis ser peixe e correu à beira do mar
Pôs os pés dentro d’água
Mas não pôde ser peixe.

O menino quis ser nuvem e seus olhos ao céu levou
Voava a nuvem no ar
Mas o menino não voou.

E o menino quis ser homem, e forte compôs sua voz
Mas o mundo era tão seu,
Que o menino, assim menino cresceu

Foram passando os anos e o menino se fez homem
E andou por estes mundos misturando desespero e dor
E um dia, o homem quis ser menino, quis ser nuvem,
Quis ser peixe…
Mas a praia era de angustia, e as nuvens passaram ao longe
E vai o homem pelo mundo, com razão ou sem razão
E leva um menino frustrado, gemendo em seu coração.

 

Adaptação de Décio Marques.

Para journaling poético – Camões

20 Dez

Quer falar de amor? ❤

Fale com quem escreveu de forma linda, quase divina.

Você pode escolher um pedaço, um trecho, uma linha, duas….

Vamos de Camões:

 

Um poema de Camões desenhado para vocês!

Um poema de Camões desenhado para vocês!

Amor, que o gesto humano na alma escreve,
    Vivas faiscas me mostrou hum dia,
    Donde hum puro crystal se derretia
    Por entre vivas rosas e alva neve.
      A vista, que em si mesma não se atreve,
    Por se certificar do que alli via,
    Foi convertida em fonte, que fazia
    A dor ao soffrimento doce e leve.
      Jura Amor, que brandura de vontade
    Causa o primeiro effeito; o pensamento
    Endoudece, se cuida que he verdade.
      Olhai como Amor gera, em hum momento,
    De lagrimas de honesta piedade
    Lagrimas de immortal contentamento

Eu cantarei de amor tão docemente,
Por huns termos em si tão concertados,
Que dous mil accidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.
Farei que Amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia, e pena, ausente.
Tambem, Senhora, do desprêzo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-hei dizendo a menor parte.
Porém para cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa,
Aqui falta saber, engenho, e arte.

Onde esperança falta, lá me esconde
    Amor hum mal, que mata e não se vê.
      Que dias ha que na alma me t[~e]e posto
    Hum não sei que, que nasce não sei onde;
    Vem não sei como; e doe não sei porque.

Sete annos de pastor Jacob servia
    Labão, pae de Raquel, serrana bella:
    Mas não servia ao pae, servia a ella,
    Que a ella só por premio pertendia.
      Os dias na esperança de hum só dia
    Passava, contentando-se com vella:
    Porém o pae, usando de cautella,
    Em lugar de Raquel lhe deo a Lia.
      Vendo o triste Pastor que com enganos
    Assi lhe era negada a sua Pastora,
    Como se a não tivera merecida;
      Começou a servir outros sete annos,
    Dizendo: Mais servíra, senão fôra
    Para tão longo amor tão curta a vida.



Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Epitáfios de José Régio

3 Set

Novo epitáfio para uma velha donzela

Não conheceu do amor as vãs complicações
Nem o prazer e as suas decepções.
Por isso é que os fiéis das sensações
Tiveram sua vida por frustrada.
Viveu de leve, humilde e afável, encerrada
No mistério sem mito em que morreu.
Da sua vida mais intensa, nada
Chegou ao mundo, que não era seu.

Sobre esta laje fria,
Por memória
Dessa ignorada história
Inscreveu esta coisa fugidia
Aquele de quem foi secretamente amada.
Epitáfio para uma velha donzela

De palmito e capela,
Qual manda a tradição,
Erecta, lá vai ela
Ser atirada ao chão.
De rosário na mão,
Lutou heroicamente
Contra a vil tentação
Do que nos pede a carne e a alma come.
Secreta, ansiosa, augusta, descontente
Dentro da sua túnica inconsútil,
Engelhou toda à fome,
Por fim morreu à sede,
No seu heroísmo fútil.
Bichos! penetrai vós no pobre corpo inútil!
Metafísica

De cada vez que nos teus braços
Por uns momentos morro,
Nos abismos de mim o meu amor pede socorro
Como se à força alguém lhe desatasse os laços.

De cada vez apreendo
Que fica em muito pouco, ou nada, aquele tanto
Que o querer ter promete, enquanto
Se não tendo.

Desejar é que é ter! mas não nos basta.
Sonhar é que é possuir sem tédio nem cansaços.
Sei-o, mas só já morto nos teus braços.
Sofre a carne de ter, ou de ser casta.

Sobre o desejo farto, a alma se debruça,
Contempla o nada a que o fartá-lo aponta.
E atrás do mesmo nada eis que ela mesma, tonta,
Vai, se a carne reacende a escaramuça.

Entrar num corpo até onde se oculte
O para Lá do corpo – eis o supremo sonho.
De que desejos o componho,
Se ei-lo se descompõe quando o desejo avulte?

Sôfrega, a carne pede carne. Saciada,
Pede, ela própria, o que jamais sacia.
Para de novo se inflamar, é um dia.
Para de novo desgostar, um nada.

Ai, como não te amar e não te aborrecer,
Carne de leite e rosas, – terra inglória
Do longo prélio-entendimento sem vitória
Que é carne e alma, ter-não ter?
Novo epitáfio para um poeta

Na terra nua, as asas desdobraram,
Espigaram,
Deram flor.
Se ali passar alguém
Que tenha o olfacto fino e o dom do humor,
Dirá que aquele morto é um amor:
Dá flor e cheira bem.

 

Myrtes Mathias

22 Fev

Quando eu era adolescente,  a busca de Deus era uma sede imensa. Hoje, meu relacionamento com ele é bem íntimo, graças a sua MARAVILHOSA GRAÇA. E hoje, tenho a certeza que meu relacionamento com ele só se revela na ação para com meu próximo. Ora e labora…

Mais jovem, as poesias de Myrtes Mathias foram muito importantes em minha busca. Um pouco delas para vocês:

Há um Deus em Tua Vida

Quando te vejo tão acomodado ao mundo
que te cerca,
como a água tomando a forma do vaso
que a contém,
eu me lembro de um Rei coroado de espinhos,
arrastando uma cruz pelos caminhos,
pelas ruas de Jerusalém.

Quando te vejo tão preocupado com rótulos
e comodidades,
tão desejoso de aparecer,
eu me lembro de um jovem-Deus perdido no deserto,
onde só feras e anjos O podiam ver.

Um jovem-Deus que te entregou um dia
o privilégio da Grande Comissão,
o Qual negas com tua covardia,
sucumbindo a promessas
que te falam à carne e ao coração.

Quando te vejo tão ocupado em construir
celeiros,
ajuntando fortunas que o ladrão pode roubar,
eu me lembro de um Deus caído sob tuas culpas
sem o conforto de uma pedra para repousar.

Quando te vejo conivente com aquilo
que Ele aborrece,
ao ponto de ocultar a Herança que Ele te legou,
pergunto: Seria falsa a promessa que fizeste
ou o amor que tu Lhe tinhas era pouco
e se acabou?

Onde está teu grito de protesto,
que já não escuto?
Tua atitude de inconformação?
Será que te esqueceste do santo compromisso
ou te parece pouco o privilégio da tua missão?

Por que tremes diante do mundo,
temendo por valores que só servem aqui?
Será que Cristo te escolheu em vão
ou será que já não existe um Deus
dentro de ti?

Tu estás no mundo, mas não és do mundo.
Não escolheste – foste escolhido.
Por que te encolhes ao ponto
de seres grande pelo padrão dos homens,
comprometendo tua autoridade
de condenar um mundo corrompido?

Foste escolhido para uma missão tão grande
que nem a anjos foi dada a executar:
não te assustem ameaças,
não te seduzam promessas,
numa obra eterna, é melhor morrer do que negar.

Lembra-te que há um Deus em tua vida
que os teus atos devem glorificar

Escreve em Mim 

Senhor, aqui está minha vida,
não como um documento já preparado
à espera da Tua rubrica.
Apenas uma folha de papel em branco
a ser preenchida com a vontade Tua,
com os planos Teus.
Por favor, Senhor,
pensa em minha insuficiência,
considera minha dificuldade de compreender
e escreve com tintas vivas, nítidas,
de tal maneira que me seja impossível
confundir ou duvidar.
Quero sair agora,
ainda hoje, se possível for,
a mostrar ao mundo o que escreveste em mim,
a provar aos homens que Tu és o Autor.

Que a mais simples criança possa ler-te em mim
e que o mais sábio dos homens possa reconhecer
em cada gesto meu
o traçado dos eternos dedos Teus.

Diante desse mundo que se desintegra,
desta sociedade que exige cada vez mais,
quem sou eu para escrever primeiro
e pedir depois a Tua aprovação?

Estende a mão que gravou no Sinai a Santa Lei,
que escreveu na areia uma mensagem até hoje desconhecida
e, para o bem do mundo,
para glória Tua,
para paz de minha alma,
escreve na folha em branco de papel que eu sou,
a palavra que és Tu mesmo:

AMOR!

Que eu creia em TI

“Ainda que a figueira não floresça,

Não haja fruto nas vides;
Ainda que falhe o produto da oliveira,
E os campos não produzam mantimento;
Ainda que o rebanho seja exterminado da malhada
E nos currais não haja gado”,
Dá-me graça,Senhor,de crer em Ti.
Ainda que eu veja crianças deformadas,
Jovens revoltados,
Desgraçados sufocando no álcool
A miséria que os sufoca,
Dá-me a graça,Senhor,de crer em Ti.
Ainda que eu veja tua obra- prima degradada;
ainda que me ensurdeça o grito de milhões oprimidos;
ainda que o poeta repita que
“Debalde morreste sobre um monte”;
ainda que eu clame e não me respondas;
que eu fale de poder e tombe de fraqueza;
que proclame a Tua gloria e me arraste no pó,
dá-me graça,Senhor,de crer em Ti.
Ainda que te veja nos braços de outra cruz,
dá-me a fé do criminoso que expirou ao Teu lado,
que,Te vendo supostamente derrotado,
orou como te peço agora:
“Lembra-te de mim”.
Se é que,por multiplicar-se a iniquidade,
de muitos o amor se esfriará aqui;
se e que vivendo virei a negar-te,
Toma-me a vida,
mas da-me a graça de morrer
Acreditando em Ti

Agora – Myrtes Mathias

Se queres dar-me uma flor,

dá-me antes que eu morra…

Se podes hoje fazer o milagre

de um sorriso num rosto que chora,

não coloques flores sobre tumbas;

Se queres dar-me uma flor, faze-o agora.

Se podes dar um lar ao órfãozinho,

abrigo ao pobre que geme lá fora,

não encolhas a mão – Deus está vendo:

se podes dar-me uma flor, faze-o agora.

Se conheces o Eterno Caminho

que leva ao templo onde a Alegria mora,

não guardes, egoísta, o teu segredo;

Se podes dar-me uma flor, faze-o agora.

Se podes dizer em uma frase linda

algo que faça a tristeza ir embora,

dize-a enquanto posso agradecer sorrindo:

se podes dar-me uma flor, faze-o agora.

O que farei das orações, das flores

quando do mundo eu já não mais for?

Aos pés de Deus eu as terei tão lindas

que não precisarei do teu amor.

Não esperes o instante da partida,

se podes me fazer feliz, faze-me agora.

Para que chorar de remorso e saudade?

Custa tão pouco a felicidade:

dá-me uma flor antes que eu vá embora.

A QUE PREÇO, SENHOR?

Myrtes Mathias

Quando medito, Senhor,
Nas palavras que pronunciaste
Em Tua última noite:
“Em memória de Mim”…
Quando penso que milhões curvam a fronte
Para comer uma migalha de pão
E tomar um minúsculo cálice de vinho
Em memória do “Filho de carpinteiro”,
Do incompreendido Líder de uma minoria,
Volta-me à mente e ao coração
O preço que isto Te custou.

“Em memória de Mim”.
O que já não foi feito em memória Tua?
Em Teu nome, guerras foram declaradas,
Reis perderam o trono,
Plebeus atingiram a fama e a santidade.
Milhares caminharam para a morte
Entoando hinos,
Deixando-se dilacerar por feras,
Enquanto aproveitaram o último alento
Para uma derradeira profissão de fé e amor:
“Salve, Cristo, quem vai morrer Te saúda”!

Nenhum herói conseguiu mudar assim
O coração dos homens, os destinos da humanidade.
Mas a que preço, Senhor!
A que preço!
Que de angustia, oculta sob a ternura dos gestos
De cortar o pão e abençoar o vinho!
Que solidão imensa na simbólica distribuição
Que só Tu sabias ser o primeiro passo
Na direção do calvário;
O primeiro degrau na escala de todo horror
Que, já naquele instante, a terrível onisciência,
Te fazia sofrer:
A luta no Getsêmane,
O beijo de Judas,
A brutalidade dos soldados,
A hipocrisia de Caifás,
A covardia de Pedro,
O abandono total e absoluto da cruz.

Já não Te feriam os ouvidos
A dúbia voz de Pilatos
E o “crucifica-o”, de Teus próprios irmãos?

E foi na contemplação de mil dedos
Apontados em Tua direção,
Já sentindo na carne o dilacerar dos cravos,
Que ordenaste, num tom que mais parecia um pedido
De quem ama na hora de dizer adeus:
“Fazei isto em memória de Mim”.

Só Tu tiveste autoridade para uma ordem assim.
Mas a que preço, Senhor!
A que preço!
Tão grande que me faz transbordar de gratidão a alma,
Quando medito no Teu mandamento-pedido:
“Em memória de Mim”.
Bem sei que Te custou a vida
Escreve-lo na mesa da casa que é Tua,
Em meu coração, que também é Teu.

Caminhos de Deus

“Somos caminhos que Deus usa.”

Senhor, do alto sei que vês melhor,
quanto mais se sobe, maior a visão;
Teus olhos abrangem a eternidade:
contemplam o sol em sua imensidade,
vêem o verme a se arrastar no chão.

Para que então ficar gritando ao mundo:
olha o que tenho, o que sei, que sou?
Se lá do alto vês o mundo todo,
Tu sabes, Senhor, onde eu estou.

Tu sabes por que vim ao mundo,
tens uma missão pra mim.
Nada mais falta que submissão,
dizer – Ordena. Abrir o coração.
Ouvir a ordem e obedecer assim:

Sem importar a obra que a mim couber,
ou o lugar em que meu campo esteja.
Pode ser obscura minha atuação,
o que me importa é Tua aprovação,
ser tudo aquilo que queres que eu seja.

Talvez não tenha a sorte das estrelas
que belas cintilam, dando inspiração.
Talvez meu campo seja o mais mesquinho;
que me importa, se me tornar caminho
por onde passe a Tua compaixão?

Foram caminhos os servos do passado,
através de História um traço de luz:
Abraão, Moisés, José, Rute, Davi,
Jonas, Ester foram no tempo aqui
apenas caminhos em direção da cruz.

Os que vieram depois também são caminhos
por onde a graça de Jesus passou
em busca do oprimido e do aflito,
caminhos que se fundem no infinito
no Único Caminho que um dia me salvou.

Agora, Senhor, a minha prece:
eu quero a graça de participar,
se não posso ser um caminho brilhante,
faze-me atalho na serra distante
mas onde o mundo veja Teu amor passar.

Usa-me, Senhor, durante todo o tempo,
para que no dia em que voltar ao céu,
possa dizer-Te, com um sorriso doce:
– Nada fiz, nada ajuntei, eu nada trouxe,
na terra fui apenas um caminho Teu.

O poeta da ALiCe!!!!!!!!

9 Mar


 

 

 

 

 

 

 

Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
a) Que o esplendor da manhã não se abre com
faca
b) 0 modo como as violetas preparam o dia
para morrer
c) Por que é que as borboletas de tarjas
vermelhas têm devoção por túmulos
d) Se o homem que toca de tarde sua existência
num fagote, tem salvação
e) Que um rio que flui entre 2 jacintos carrega
mais ternura que um rio que flui entre 2
lagartos
f) Como pegar na voz de um peixe
g) Qual o lado da noite que umedece primeiro.
Etc.
etc.
etc.
Desaprender 8 horas por dia ensina os princípios.

 

Manoel de Barros

Beijos coloridos em todos!

O poeta.

7 Mar

Depois de ter entrado para rã, para árvore, para pedra

– meu avô começou a dar germínios.

Queria ter filhos com uma árvore.

Sonhava de pegar um casal de lobisomem para ir

vender na cidade.

Meu avô ampliava a solidão.

No fim da tarde, nossa mãe aparecia nos fundos do

quintal : Meus filhos, o dia já envelheceu, entrem pra

dentro.

Um lagarto atravessou meu olho e entrou para o mato.

Se diz que o lagarto entrou nas folhas, que folhou.

Aí a nossa mãe deu entidade pessoal ao dia.

Ela deu ser ao dia,

e ele envelheceu como um homem envelhece.

Talvez fosse a maneira

que a mãe encontrou para aumentar

as pessoas daquele lugar

que era lacuna de gente.

Manoel de Barros

o poeta

23 Maio

“Aos olhos dos outros, um homem é poeta se escreveu um bom poema. A seus próprios, só é poeta no momento em que faz a última revisão de um novo poema. Um momento antes, era apenas um poeta em potencial, um momento depois, é um homem que parou de escrever poesia, talvez para sempre.”

Wystan Hugh Auden

Beijos coloridos em todos!